Será realizado nos dias 19 e 20 de DEZEMBRO de 2014, em Roque Gonzales, RS, a sexta edição do MANIFESTO, CANTO E POESIA NHEÇUANOS, produzido pela Associação Cultural Nheçuanos e com apoio da Prefeitura Municipal de Roque Gonzales. O evento reunirá estudiosos e simpatizantes da questão indígena que debaterão fatos ocorridos em nossa região durante a primeira Fase das Missões.
No início do século XVII, o cacique e xamã Nheçu comandou várias tribos na atual região noroeste do Estado do RS, atual Missões, e lutou contra a implantação das Reduções Jesuíticas em terras Guarani. O Manifesto Nheçuano é um movimento de resgate da história iniciado há seis anos em Roque Gonzales e que hoje alcança repercussão nacional e internacional.
Professores, escritores, antropólogos, indigenistas, historiadores, músicos poetas e declamadores abordam o tema, e em forma de debate, música e verso, defendem a legitimidade da postura do líder Guarani Nheçu em defesa da cultura, da religiosidade e do território de seu povo.
DEPOIMENTOS
“Esta jornada não visa um movimento de contestação Histórica, mas muito pelo contrário, de revisão da História à procura da verdade. É o resgate de uma História que foi abandonada pelo conquistador. Não podemos partir para a condenação. Temos que nos dar conta do poder maior que era o poder do conquistador. Quando nós temos a História escrita e deturpada pelos poderes, é uma necessidade, uma obrigação nossa lutarmos por este resgate da História”.
(Ruy Nedel, escritor e historiador de Cerro Largo, RS, autor de “Esta Terra Teve Dono”)
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“O Manifesto Nheçuano tem representatividade grandiosa. Nheçu foi o verdadeiro palanque da resistência indígena. Não defendeu ideias que não fossem as de sua gente e só quis guardar o sagrado direito de permanecer na terra que sempre foi sua – a terra com as tradições que seu povo cultivava desde sempre. Não se aliou a ninguém e lutou sozinho para salvar seu povo, sua terra e sua cultura”.
(Nelson Hoffmann, escritor e historiador de Roque Gonzales, autor de “Terra de Nheçu”)
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“Foram ideias esparsas, recolhidas ao longo das estradas, que vieram nos falando de vozes e cantos de liberdade, vivendo em perfeita harmonia com a mãe natureza, respeitando povos e culturas diferentes, sem impingir a mácula do pecado das cruzes e da ganância das riquezas dos paraísos. Estes ideais podem estar assim ressurgindo, recuperando a verdadeira história do cacique Nheçu e sua tribo Guarani, através do Manifesto Nheçuano. Uma realidade que poderá ser possível a partir apenas e tão somente de Roque Gonzales”.
PROGRAMAÇÃO
19/12 (SEXTA-FEIRA)
19/12 (SEXTA-FEIRA)
Balneário Vista Linda
16:00h – Recepção aos Convidados
20:00h – Abertura
21:00h – Tertúlia Livre
20/12 (SÁBADO)
Praça Tiradentes
16:00h – Abertura
Exposição de artefatos Guarani
Lançamento de livros e cds
20:00h – Palestras e Debates
21:00h – Show com Jorge Guedes & Família
23:00h – Tertúlia Livre – Canto e Poesia Nheçuanos
CONTATOS: ASOCIAÇÃO CULTURAL NHEÇUANOS:
Marco Marques
presidente (51) 9204-3487
Giani Schmidt da Silva
vice-presidente (55) 8105-9392
Adriano Reisdorfer
Cons. Fiscal (55) 8114-1499
Julio Ribas
Cons. Fiscal (51) 9606-7106
Mais informações:
PRESENÇAS CONFIRMADAS
Odécio ten Caten Renato Schorr Ruy Nedel
Capão da Canoa RS Santo Ângelo RS Cerro Largo RS
Jorge Guedes Rossana Etcheverry Alejandro Santos Kuh
São Luiz Gonzaga RS Ciudad de Minas URU Ciudad de Minas URU
Negro Lelé Negro Dorival Cristiano Bremm
Foz do Iguaçu PR Foz do Iguaçu PR S.Miguel Iguaçu PR
Patrício Maicá Tarso Weber Jorge Bomfim
Santo Ângelo RS Cerro Largo RS São LUiz Gonzaga RS
Salvador Lamberty Claudio Cunha Nelmo Beck
Santa Maria RS Santo Ângelo RS Santa Rosa RS
JORGE GUEDES & FAMÍLIA: show DIA 20.12, às 21 horas na Praça Tiradentes
O MANIFESTO NHEÇUANO
Por ENÉAS ATHANÁZIO
Escritor e jurista de Balneário Camboriu, SC
e.atha@terra.com.br
Desde que foi fundado o chamado Manifesto Nheçuano, no Rio Grande do Sul, venho participando do movimento, ainda que à distância. Inconformado com as injustiças que vem sofrendo ao longo da história o cacique-pajé Nheçu, líder dos índios guaranis e outras tribos da região missioneira daquele Estado, um grupo de jovens idealistas decidiu iniciar um trabalho de revisão crítica da história regional e procurar recolocar as coisas nos seus devidos lugares. Com o entusiasmo típico dos jovens, Giani, Marco, Júlio e Adriano se puseram em campo e trataram de dar início a esse trabalho ao mesmo tempo justiceiro e renovador que vem movimentando a cidade de Roque Gonzales e a região lindeira com a Argentina. Enfrentando a descrença de alguns, mas contando com o apoio decidido de outros, fundaram a Associação Cultural Nheçuanos (ACN), publicando um jornal (“O Nheçuano”), mantendo um site na Internet e iniciando um permanente intercâmbio com pessoas interessadas pela causa indigenista em todo o país. Como eu havia escrito um texto sobre o referido cacique, publicado em meu livro “Mundo Índio” (2003), e diversos artigos sobre o tema, fui desde o início um entusiasta do movimento, passei a escrever para o jornal e a manter contato com os integrantes do grupo.
Nheçu, o grande chefe daqueles povos, intuiu que a invasão europeia nos seus domínios teria resultados catastróficos. A chegada daqueles estranhos homens brancos, barbudos e glabros, trajando vestuários esquisitos e impondo novos costumes lhe pareceu desde logo grave ameaça aos índios, sua cultura e a própria existência de sua gente. A situação se agravou quando os brancos começaram a interferir nas práticas imemoriais dos indígenas, impondo novas crenças em substituição às antigas, estabelecendo modos de agir e limitando as atividades de homens e mulheres até então livres, nômades, caçadores e pescadores natos, procurando transformá-los em agricultores e sedentários. Trazendo uma tecnologia adiantada, ferramentas, cavalos e gado de corte, usavam desses recursos em troca da conversão e do apoio de numerosos indígenas que aderiram aos que chegavam, sua religião e suas práticas. As consequências, - como previa Nheçu, - foram desastrosas e alguma coisa precisaria ser feita com urgência para estancar o mal e impedir a destruição do mundo guarani. Em conferências com os caciques menores e os sábios da tribo, o grande cacique se decide pela resistência, usando para tanto dos recursos de que dispunha. E assim, tomada a grave decisão, investem contra os invasores. São derrotados em toda a linha porque não dispunham de armamento capaz de enfrentar os arcabuzes e demais armas mortíferas do colonizador. Segundo alguns, Nheçu teria perecido nas águas do rio e, segundo outros, foi morto pelos bandeirantes. Desde então Nheçu teve sua memória denegrida pela história escrita pelo vencedor. Contra essa visão única e dominante se ergue agora a voz do Manifesto Nheçuano num trabalho revisionista e justiceiro que, aliás, deveria ser realizado em numerosos outros episódios da história nacional.
Todos os anos o grupo realiza na referida cidade um encontro festivo de associados e simpatizantes para debater o assunto e reavivar a cultura missioneira e regional. No III Manifesto, Canto e Poesia Nheçuanos - como foi designado o encontro - em que participei, houve um verdadeiro desfile de grupos musicais, músicos, declamadores, poetas, compositores, trovadores e até artistas plásticos. Compareceram, entre outros, Odécio ten Caten, Ivaldino Tasca, Ruy Nedel, Renato Schorr, Antonio Cabrera, Nelson e Inês Hoffmann, os integrantes da diretoria da ACN, autoridades e convidados em geral. Composta a mesa dos debatedores, houve manifestações de vários deles e, no final, me concederam a honra de fazer o encerramento. Foi um evento marcante, contando com considerável presença de público e bem difundido pela mídia regional. Tudo indica que a ACN se consolida e o número de associados só tende a crescer. Já são muitos os simpatizantes de vários pontos do país.
Nheçu, o grande chefe daqueles povos, intuiu que a invasão europeia nos seus domínios teria resultados catastróficos. A chegada daqueles estranhos homens brancos, barbudos e glabros, trajando vestuários esquisitos e impondo novos costumes lhe pareceu desde logo grave ameaça aos índios, sua cultura e a própria existência de sua gente. A situação se agravou quando os brancos começaram a interferir nas práticas imemoriais dos indígenas, impondo novas crenças em substituição às antigas, estabelecendo modos de agir e limitando as atividades de homens e mulheres até então livres, nômades, caçadores e pescadores natos, procurando transformá-los em agricultores e sedentários. Trazendo uma tecnologia adiantada, ferramentas, cavalos e gado de corte, usavam desses recursos em troca da conversão e do apoio de numerosos indígenas que aderiram aos que chegavam, sua religião e suas práticas. As consequências, - como previa Nheçu, - foram desastrosas e alguma coisa precisaria ser feita com urgência para estancar o mal e impedir a destruição do mundo guarani. Em conferências com os caciques menores e os sábios da tribo, o grande cacique se decide pela resistência, usando para tanto dos recursos de que dispunha. E assim, tomada a grave decisão, investem contra os invasores. São derrotados em toda a linha porque não dispunham de armamento capaz de enfrentar os arcabuzes e demais armas mortíferas do colonizador. Segundo alguns, Nheçu teria perecido nas águas do rio e, segundo outros, foi morto pelos bandeirantes. Desde então Nheçu teve sua memória denegrida pela história escrita pelo vencedor. Contra essa visão única e dominante se ergue agora a voz do Manifesto Nheçuano num trabalho revisionista e justiceiro que, aliás, deveria ser realizado em numerosos outros episódios da história nacional.
Todos os anos o grupo realiza na referida cidade um encontro festivo de associados e simpatizantes para debater o assunto e reavivar a cultura missioneira e regional. No III Manifesto, Canto e Poesia Nheçuanos - como foi designado o encontro - em que participei, houve um verdadeiro desfile de grupos musicais, músicos, declamadores, poetas, compositores, trovadores e até artistas plásticos. Compareceram, entre outros, Odécio ten Caten, Ivaldino Tasca, Ruy Nedel, Renato Schorr, Antonio Cabrera, Nelson e Inês Hoffmann, os integrantes da diretoria da ACN, autoridades e convidados em geral. Composta a mesa dos debatedores, houve manifestações de vários deles e, no final, me concederam a honra de fazer o encerramento. Foi um evento marcante, contando com considerável presença de público e bem difundido pela mídia regional. Tudo indica que a ACN se consolida e o número de associados só tende a crescer. Já são muitos os simpatizantes de vários pontos do país.


Interessante o propósito da associação. Acho muito válido que a verdade venha à tona, inclusive dei minha opinião sobre o tema.
ResponderExcluirhttp://www.adhdcontrolado.blogspot.com.br/2014/11/o-resgate-da-figura-do-cacique-nhecu.html
Abraço.